DOR RELACIONADA AO CÂNCER – CONCEITO DE DOR (Dra. Gessie Anne Lopes)

"A DOR E O PRAZER SÃO SIMPLES IDÉIAS IMPOSSÍVEIS DE SEREM DEFINIDAS." (Burke)
 
A dor é um sintoma táo antigo quanto a própria humanidade. Para o homem primitivo, somente a dor de causa exógena (feridas, traumatismos) se justifica. A dor oriunda de enfermidades adquiriam conotaçóes mágicas. Nas civilizaçóes antigas, como a assíria-babilónia e a egípcio-hebráica, o conceito de dor adquiriu uma conotaçáo religiosa. Acreditavam eles serem a dor uma intoxicaçáo pelos espíritos malignos, ou um castigo divino resultado de pecados cometidos. A primeira citaçáo em que se visulaizava um componente emocional surgiu dos hindus e budistas, os quais acreditavam ser a dor uma frustraçáo de desejos insatisfeitos. Apesar de os gregos defenderem a idéia organicista, em que o cérebro era o centro das razóes e sensaçóes, foi a teoria de Aristóteles que permaneceu por 23 séculos – ele defendia que o estímulo nocivo se deslocava da pele até o coraçáo pelo sangue, mostrando ser mais um sentimento que uma sensaçáo. O equilíbrio entre as duas tendéncias acima descritas foi encontrado por alguns neurologistas (Elardy, Wolff, Beecher) os quais reconheceram dois componentes importantes da dor. O primeiro estaria relacionado com a estimulaçáo das terminaçóes nervosas, classificado como sensaçáo, mas que náo estaria separado de um segundo componente, o estado emocional do indivíduo.
A DOR É UMA CONDIÇÁO QUE POSSUÍ DIMENSÓES FISIOLÓGICAS, PSICOLÓGICAS, EMOCIONAIS E AFETIVAS. É importante náo esquecermos a associaçáo da dor à idéia comum de que ela é desagradável e que gera uma expectativa de dano tecidual. Foi o reconhecimento desses componentes por vários autores base para elaborçáo de uma dfiniçáo de dor pela Sociedade Internacional para o Estudo da Dor (IASP). Assim ficou definida:
 
"A DOR É UMA EXPERIÉNCIA SENSORIAL E EMOCIONAL DESAGRADÁVEL, ASSOCIADA COM DANO TISSULAR REAL OU POTENCIAL, OU DESCRITO EM TERMOS DESSE DANO".
 
A dor, portanto, realmente produz dano tecidual, e sem nehuma dúvida é uma sensaçáo em alguma regiáo do corpo, sempre desagradável, sendo por isso uma experiéncia emocinal, diferente de outras sensaçóes, como a disestesia (sensaçóes anormais desagradáveis). É importante distinguirmos a dor expressa por uma pessoa quando náo sofre dano tecidual daquela dor em que ocorre dano. Se nos dois casos as experiéncias sáo referidas como dor e se comunicam da mesma forma, a dor sem dano tecidual deve ser aceita como verdadeira. Isso ocorre por razóes psicológicas – A DOR É SEMPRE UM ESTADO PSICOLÓGICO.
A dor, semelhante ao tato, visáo, olfato ou audiçáo, náo necessita nehuma experiéncia anterior para senti-la. A primeira experiéncia em que ocorra dano tecidual será sempre dolorosa e faz parte do equilíbrio homeostático do corpo humano –  dor é um mecanismo que nos protege e nos mantém íntegros fisicamente.
Com essas evidéncias em mente, devemos  sempre lembrar que a expressáo de dor do neonato e da criança pode se manifestar pelas alteraçóes de comportamento. A valorizaçáo da dor deve ser dada pela capacidade individual de expressáo, seja essa pessoa uma criança, um adulto ou um incapacitado.

2 pensamentos sobre “DOR RELACIONADA AO CÂNCER – CONCEITO DE DOR (Dra. Gessie Anne Lopes)

  1. Minha irmã está com cancer no pulmão , um tumor, fez quimio, 15 dias de radio no hopital geral de guarulhos/sp e foi liberada para tratamento de só medicamento. Agora ela sofre muito com dores das inguas que surgiram , muita dor, e a ingua da virilha é a mais grave deixando-a sem andar e gemendo de dor e os hospitais que levamos não fazem nada. Conseguimos adiantar o retorno da consulta no hospital geral de guarulos onde faz acompanhamento.
    Pergunto, porque hospitais aqui da minha cidade Diadema, não atende. simplismente ignora o sofrimento e nem da encaminhamento pra outro hospital.
    Estou indignada, pra onde levar, o que fazer?
    Estas ínguas … porque? está relacionado ao tumor?
    É triste a situação.

    • O tratamento da dor relacionada ao câncer obedece protocolos rígidos e escalonados de medicamentos. O arsenal de remédios que temos à disposição para deixar o paciente em qualquer quadro clínico relacionado ao câncer é suficiente e satisfatório. Consulte um oncologista clínico, ele saberá orientar qual a melhor combinação de medicamentos para a causa da dor neste caso específico, que provavelmente devem-se as metástases do tumor primário de pulmão. A medicina paliativa está muito avançada neste campo e o paciente com câncer em qualquer estágio não deve sentir quase ou nenhuma dor. Deve-se afastar também outras causa de dor e também avaliar a possibilidade do paciente fazer um tratamento quimioterápico específico para destruir as células cancerosas, o que por si só já diminuí a dor.

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